A rede do Bitcoin está no limite?

08/03/2016 | por Admin | em Tecnologia

traffic jam

O recente problema envolvendo a lentidão da rede de processamento de transações de bitcoin tem causado grande repercussão negativa no mercado e pode ser apontado como o principal fator da última onda de desvalorização. Como já tratamos aqui no blog anteriormente, o congestionamento da rede tem sido apontado como a razão para essa demora. Em casos extremos, a confirmação das transações está levando horas para se concretizar e isso pode ser um claro sinal de fracasso da tecnologia.

É óbvio que esse estrangulamento do poder de processamento gera bastante frustração nos usuários da moeda digital, mas o caso não faz jus à proporção que está tomando, principalmente quando percebemos que a velocidade da rede está voltando ao normal aos poucos.

A grande dúvida – não apenas dos entusiastas do bitcoin, mas também de toda mídia que vem dedicando grande espaço na cobertura dos eventos relacionados a esta inovação – é se a tecnologia teria realmente vocação para ser um meio de processamento de pagamentos de larga escala.

Nenhuma disrupção tecnológica inventada pelo homem conseguiu crescer sem passar por eventos de estresse, como podemos chamar esses que ocorreram nas últimas semanas O protocolo Bitcoin, é preciso frisar, ainda é praticamente uma criança, com apenas sete anos de existência.

No mundo financeiro tradicional, problemas ocorrem todos os dias, e vale lembrar que eles estão no mercado há muitas décadas. Logo, não há necessidade de crucificar a tecnologia do Bitcoin por questões que estão surgindo evidentemente devido ao seu grande sucesso de adoção ao redor do mundo.

A questão da escabalibidade do Bitcoin está sendo debatida desde o ano passado de maneira ardente pelos principais desenvolvedores da comunidade. Mas até agora ninguém aparentemente chegou a conclusão alguma. Aqui neste espaço, já escrevemos bastante sobre o assunto, que no momento é um dos maiores fatores de risco da moeda digital.

Precisamos deixar claro que existe, sim, uma maneira de não ver as suas transações de bitcoin levarem horas a fio para serem processadas. Basta pagar um fee, ou seja, uma taxa de serviço, maior ao minerador para que ele processe aquela transação na frente das outras.

Se você utiliza a carteira da coinBR, você perceberá que ao invés de 0.0001 btc, nós colocamos uma taxa de 0.0003 btc para evitar que as operações não sejam confirmadas rapidamente. Esta parece ser uma tendência da tecnologia. Com o passar dos anos, o modelo de negócio dos mineradores deixará de ser baseado no prêmio obtido pela verificação de cada bloco e mais voltado ao um esquema de concorrência pelas melhores taxas de transação.

E vale ressaltar que quem define qual a taxa que será pago ao minerador é você, diferentemente das finanças tradicionais, com os bancos decidindo quanto você irá pagar por cada serviço. Com o bitcoin, você comanda o jogo.

Apesar disso tudo, é imprescindível que a comunidade adense esse debate político em torno do futuro do bitcoin e chegue a alguma conclusão que seja racional e consensual.

O futuro do bitcoin depende, sim, das decisões que serão tomadas em relação à forma como ocorrerá a sua escabilidade. A cada dia mais e mais pessoas querem fazer parte desse mundo. Precisamos estar preparados para atender a todos os interessados, mantendo a principal característica da tecnologia, que é a de ser um instrumento descentralizado de troca de valor não controlado por ninguém ou qualquer instituição.

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