Blockchain é assunto preferido em eventos

07/06/2018 | por Renata Garcia | em Destaque

Há cerca de dois anos, era difícil reunir cem pessoas em um encontro para debater Bitcoin. Em 2017, em contrapartida, vimos o cenário mudar drasticamente com a maior participação de entusiastas do tema. Engajamento, este, que se mantém crescente. Conforme aumentam os interessados, mais eventos são promovidos – somente em maio, foram realizados dois grandes congressos e uma série de pequenos encontros. Com eles, elevam os valores de ingresso. A tônica das discussões também mudou e passou a focar no Blockchain e suas possibilidades, não tanto em criptomoedas.

O summit da Stratum coinBR e a VI Bitconf ainda foram eventos com bastante espaço para discutir o cenário cripto, entretanto, com abrangência no Blockchain, ICOs e sua regulação em diversos países – temáticas que tomaram a maior parte dos debates do Blockchain Festival e Blockspot Latam, realizados recentemente. Esta diversidade não é exclusividade do Brasil. Na Blockchain NY Week tivemos uma expressiva quantidade de eventos que tornaram impossível participar de todos os encontros.

A Blockchain SP Week foi mais modesta, composta de dois grandes eventos e vários encontros menores. Houve também a comemoração do Bitcoin Pizza Day, data que marcou o aniversário de 8 anos da primeira transação comercial com Bitcoin. Um dos encontros de celebração foi organizado pela Blockchain Academy em parceria com a Stratum coinBR. A parceria promoveu a campanha “Bitcoin Solidário”, que recolheu doações em bitcoin – somando, em reais, cerca de R$ 13 mil – endereçados à instituição Casa do Zezinho, de São Paulo, que presta assistência a crianças e jovens e vulnerabilidade.

Soluções

Falando mais especificamente sobre as duas conferências, o que se pode dizer é que estamos diante de uma hype e ninguém quer ficar de fora. Parece para muitos que o Blockchain é a solução para todos os problemas do mundo e que é essencial que seja implementado em todos os setores da indústria. Solucões, estas, citadas em peso aos eventos. Grandes corporações se movimentam para apresentar soluções baseadas em Blockchain, mas ainda há muita controvérsia sobre as alternativas privadas e permissionadas que têm utilizado.

No que diz respeito à regulação, houve quase consenso geral sobre a sua necessidade. Pouco se falou em autorregulação do setor, todavia. Vários profissionais que chegaram de paraquedas estavam entre os palestrantes, além de representantes do velho mercado financeiro que pouco entendem a revolução que o Bitcoin representa.

Os bancos se esforçam para manter a relevância diante do eminente aumento da adoção do Bitcoin, enquanto a B3, bolsa de valores brasileira, procura manter seu monopólio no que se refere à negociação de valores mobiliários por meio de uma regulação restritiva. Uma confusão também foi demonstrada devido ao termo ICO – erroneamente comparado aos IPOs diversas vezes. Ainda sobre ICO, um aspecto aparente nos eventos, e que já havia se mostrado presente também em grande parte dos eventos de Nova York, é que a explosão de ICOs recheou os eventos de publicidade e palestras patrocinadas.

Mas ainda houve espaço para bons debates e foi possível, principalmente, realizar um intenso networking já que vários dos nossos empreendedores brasileiros em Blockchain estavam presentes. Quanto a isso, vale lembrar algo que já havia ficado claro no nosso Summit: os reguladores estão exportando nossos talentos. Diversos projetos estão instalando suas empresas na Estônia, Malta ou Suíça, países com uma maior abertura para inovadores do mundo de criptoativos.

Importâncias

Para finalizar, não podemos deixar de fazer uma provocação, surgida a partir de alguns desses networkings. Dirigimos a todos aqueles que têm sido convidados para palestrar, seja por terem se estabelecido como intelectuais pensando blockchain e criptomoedas a partir de algum enfoque disciplinar, ou por estarem empreendendo em algum projeto relacionado à tecnologia: quantos de vocês possuem criptomoedas? Em nossa rápida pesquisa durante os encontros, a maior parte do público presente – aproximadamente 80% – não possui cripto.

Aqueles que querem entrar de cabeça, influenciar pessoas e empreender verdadeiramente neste mercado, precisam seguir uma máxima americana “put your money where your mouth is”. É imprescindível que haja este mergulho para entender seu fluxo. Lembremos que, antes de qualquer coisa, a principal área em que o blockchain traz disrupção é a financeira. E a já histórica disruptura social e capital que vivemos não existiria sem o investimento em criptomoedas.

Fonte: https://blog.equinix.com/wp-content/uploads/2017/10/blockchain.jpg

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