Bolhas por todo lado…e agora?

30/09/2016 | por Safiri Felix | em Economia

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A expressão “não diga que eu não avisei” é a que melhor traduz o alarde de boa parte dos economistas em relação ao futuro da economia mundial. Aqui no blog, fiz questão de frisar nas últimas postagens que uma nova crise financeira global, de escala e intensidade muito superiores à última de 2008, está a virar a esquina.

A mais nova voz que integra este coro emerge do relatório anual da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), apresentado no mês de setembro, em Nova York e Genebra.

Os economistas da ONU trouxeram à luz o que já é consenso em Wall Street, na City londrina e na Faria Lima: apesar de os bancos centrais ao redor do mundo continuarem com a política descontrolada de emissão de dinheiro, que recebem pomposas denominações como afrouxamento monetário ou injeções de liquidez, o crescimento econômico tanto nos países desenvolvidos, quanto nos emergentes, vai de mal a pior.

De acordo com o documento de 250 páginas, “se a economia global continuar debilitando-se, uma parte considerável da dívida emitida pelos países em desenvolvimento desde 2008 poderia tornar-se impagável e exercer uma forte pressão sobre o sistema financeiro mundial, levando muitos bancos à situação de insolvência”.

A UNCTAD calcula que a dívida corporativa não financeira dos países emergentes disparou de US$ 9 trilhões no final de 2008 para US$ 25 trilhões no final do ano passado, muito em consequência ao crédito barato que se espalhou pelo mundo. O aumento significa que a dívida, antes 57%, passou a representar 104% do do PIB destes países.

O relatório aponta que o crescimento da economia global em 2016 ficará abaixo do ano anterior, com uma taxa de expansão de 2,3%. Este é o sexto ano seguido que a economia mundial repete um crescimento modesto, bem abaixo das taxas de crescimento do período anterior à crise de 2008.

Para se ter ideia, as economias desenvolvidas devem crescer somente 1,6%. Entre as nações em desenvolvimento, espera-se uma expansão de 4%, basicamente devido ao crescimento sustentável dos países asiáticos, que é contrabalanceado por uma desaceleração na África e uma recessão econômica na América Latina e Caribe, com Venezuela e Brasil estrelando como protagonistas desta agonia financeira sem precedentes.

Os papéis da dívida do Tesouro norte-americano vêm perdendo espaço a cada dia nos portfolios dos gestores de investimentos, principalmente na China e na Arábia Saudita, os grandes detentores desses títulos. Tudo indica que outros países entrarão nesta corrida de despejo dos títulos americanos, colocando ainda mais incerteza sobre o futuro do balanço do Fed.

Sabendo disso, o banco central dos EUA lançou na semana passada uma nova regulação que cria restrições para investimentos em emissões de dívida de bancos locais e setores como energia e commodities. Com isso, a expectativa é que parte do capital dos investidores seja quase que obrigatoriamente direcionado para compra de títulos da dívida.

O dinheiro dos chineses tem sido direcionado principalmente para a compra de ouro, mas também vem sendo alocado de maneira crescente no mercado de ativos digitais, como o bitcoin, que vem ganhando muito espaço como instrumento de proteção contra um eventual colapso do mercado financeiro.

Por falar no gigante asiático, essa semana o homem mais rico da China alertou suas preocupações sobre a bolha imobiliária local. Segundo Wang Jianlin, a situação atual é a maior bolha de ativos da história, com consequências imprevisíveis e pouquíssimas opções de solução.

Como se já não bastassem tamanhas incertezas, também nessa semana, aumentaram os rumores sobre os problemas com o Deustche Bank, o maior banco de investimento europeu, classificado pelo FMI como a instituição financeira que apresenta maior risco à estabilidade financeira mundial.

Tempos turbulentos se avizinham. Os mercados ao redor do mundo parecem cada dia mais próximos do acerto de contas com a crise financeira de 2008 e ao que tudo indica estamos diante de diversos fatores de risco espalhados pelo mundo e um grau de interconexão grande entre tantos eventos com potencial importante de agravar ainda mais a situação da já combalida economia global.

30/09/2016 Compartilhar
  • Deus Lula

    esta parece que não vai ser uma marolinha …….

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