Conheça a DAO – um modelo revolucionário de governança descentralizada

06/06/2016 | por Safiri Felix | em Economia

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A plataforma descentralizada Ethereum, depois de ganhar os holofotes em março deste ano ao atingir um valor de mercado superior a US$ 1 bilhão, agora abriga uma nova iniciativa chamada de “Organização Autônoma Descentralizada” (The DAO, em inglês).

A DAO é uma espécie de fundo de capital privado descentralizado, que surgiu no último mês e tornou-se o projeto de financiamento coletivo mais exitoso da história ao levantar quase US$ 170 milhões. Os recursos foram depositados via ether, a moeda digital que serve de combustível para a rede Ethereum.

A proposta da DAO é a de financiar projetos que sejam regidos por contratos inteligentes (smart contracts), ou seja, acordos entre contrapartes automatizados por código.

Por meio de um processo democrático de votação online baseado na quantidade de DAO tokens que cada membro possui, os projetos serão ou não financiados pela organização.

Os tokens refletem a quantidade de ether investida pelos membros durante a oferta inicial de financiamento coletivo, que terminou no último dia 28 de maio.

Rapidamente, algumas exchanges, como a Kraken, já iniciaram a negociação dos DAO tokens em suas plataformas de trade, tornando possível para aqueles que não investiram durante a oferta inicial entrarem no projeto.

Milhares de investidores anônimos do mundo todo ouviram falar da DAO e enviaram recursos para a criação dessa organização que será governada puramente por código computacional, deixando de lado a ingerência e arbitrariedade humana.

Alguns acreditam que a iniciativa – de longe a que mais chama atenção de todas sendo desenvolvidas na plataforma Ethereum – possa fazer história por ser uma espécie de coletivo tecnológico que não possui liderança ou executivos tocando o dia-a-dia da organização. Tudo é código e as únicas decisões humanas são feitas por meio de votação de todos os membros.

O código básico da DAO foi escrito por uma programador alemão de 32 anos chamado Christoph Jentzsch. Apesar disso, seu papel como criador do projeto para por aí, já que ninguém controla a organização e ele se tornou apenas mais um membro da organização.

Mas nem tudo são flores na DAO. Em uma entrevista ao New York Times, Jentzsch assumiu que, apesar de o projeto talvez representar o futuro da Internet, ele está cheio de riscos inerentes à uma nova tecnologia, que ainda não foi muito testada. A própria questão da segurança da rede Ethereum é um fator de risco.

Além disso, no final da semana passada, um dia antes de terminar a oferta inicial de financiamento coletivo, um grupo de cientistas da computação publicou um artigo descrevendo uma série de vulnerabilidades na segurança da DAO.

Os autores do alertaram que o dinheiro daqueles que investiram na iniciativa poderia ser congelado e até roubado por hackers devido às falhas existentes no código da organização.

Especialistas em moedas digitais também levantaram preocupações legais e regulatórias em relação ao projeto. Entidades reguladoras podem perceber a iniciativa como uma empresa que vende investimentos usando criptomoedas, o que é contra a lei em muitos países, como nos Estados Unidos, por exemplo. O fato de os DAO tokens terem sido obtidos por meio de ethers fez com que os investidores ficassem totalmente anônimos e não precisassem fornecer qualquer tipo de identificação.

De qualquer forma, a DAO está operando e muitas decisões já estão sendo tomadas pela comunidade de investidores. Quem sabe este não seja o início de uma nova forma de governança corporativa, que seja descentralizada, mais transparente e democrática?

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