ETC x ETH: quem vencerá a batalha do fork?

28/07/2016 | por Admin | em Economia

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No início desta semana falamos sobre a divisão na rede (hard-fork) do Ethereum e a consequente criação de duas moedas: a ETH (pós-fork) e a ETC (Ethereum Classic).

Na terça-feira, 26/07, em um movimento que surpreendeu a muita gente, a ETC chegou a se valorizar mais de 400% em um intervalo de 24 horas e seu volume de transações na bolsa internacional Poloniex ultrapassou o ETH, causando um verdadeiro boom no mercado, com investidores realizando enormes lucros em decorrência disso.

Nesta quarta-feira, contudo, o ETC passou a ser negociado a preços 35% inferiores que no dia anterior, mostrando que a corrida pela moeda vem perdendo força.

O cenário de curto prazo tanto para o ETH quanto para o ETC mostra-se extremamente volátil e incerto, qualquer investimento substancial não é recomendado no momento, mas oportunidades como as dessa semana são o combustível dos traders.

Basicamente, os defensores do ETC são entusiastas da tecnologia do blockchain que prezam pela imutabilidade da rede, uma das principais características que fazem a tecnologia ser tão disruptiva e uma alternativa ao modelo financeiro que vigora há séculos.

O hard-fork do Ethereum ocorreu porque os criadores da rede, liderados por Vitalik Buterin, precisaram sacrificar a imutabilidade do código original para recuperar fundos perdidos decorrentes de um ataque hacker que ocorreu no aplicativo DAO há pouco mais de um mês.

Para reaver os recursos, eles decidiram dividir a rede e ferir o princípio da imutabilidade da blockchain, lançando mão de uma pseudo-democracia, que levou em consideração apenas os interesses financeiros daqueles que perderam dinheiro com o DAO, devido às falhas existentes em seu código.

A maioria das grandes corretoras de criptomoedas passou a negociar o ETC. Poloniex e Kraken já estão negociando a moeda e a Bitifinex tem planos de incorporar a moeda em seu livro de ofertas em breve.

Especialistas têm alertado para a possibilidade de usuários explorarem falhas decorrentes da divisão da rede e realizarem gastos duplos em ambas redes ETH e ETC, podendo em última instância provocar um colapso total da rede.

O criador do Ethereum, Vitalik Buterin, inclusive chegou a comentar sobre a necessidade de um novo hard-fork para eliminar outros problemas já mapeados.

A tendência é que a maior parte dos mineradores se concentre no blockchain com maior poder de processamento, mas no caso do Ethereum, estamos diante de uma clássica de virada de mesa, é provável que o ETC ganhe mercado junto aos usuários fiéis do lema: o código manda, só em código confiamos.

Para o Bitcoin, os incidentes ocorrendo atualmente com sua concorrente mais próxima em valor de mercado servem de aprendizado e reflexão sobre quais são as prioridades para a rede e da urgência pra aprimorar os mecanismos de governança. 

Boas notícias no horizonte com os avanços em relação ao SegWit e de projetos como a a Rootstock, que prometem trazer para a blockchain do bitcoin funcionalidades de contratos inteligentes, o principal diferencial do Ethereum.

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