Euro sob pressão e o derretimento da libra

07/10/2016 | por Safiri Felix | em Economia

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Passei os primeiros dias de outubro na capital inglesa, que rivaliza com Nova Iorque pelo posto de principal centro financeiro do mundo. Desde a vitória do Brexit, a libra esterlina tem se desvalorizado, e entrou em queda livre atingindo o menor valor em três décadas.

Esta semana, durante a conferência anual do Partido Conservador, a  primeira-ministra britânica Theresa May sinalizou o início do chamado “hard Brexit”, com restrições para imigração e menor acesso ao mercado único da União Europeia a partir de março de 2017.

Se já não bastassem os problemas do divórcio britânico, o mercado segue refém da capacidade de resposta para os problemas espalhados entre os principais bancos europeus.

Assim como aconteceu no ano passado com a crise na Grécia, a Itália sofre com problemas em seus principais bancos, com perdas potenciais gigantescas relativas a crédito pobre estocado nos balanços dos bancos italianos.

Para piorar ainda mais a situação, seguem os rumores sobre a saúde do Deutsche Bank, que negocia uma multa de 14 bilhões de dólares, imposta pelo Departamento de Justiça dos EUA como punição por violações durante a crise do subprime.

Não faltam rumores sobre como a questão será solucionada. A chanceler Angela Merkel segue seu discurso de austeridade ao insistir que não haverá resgate ao Deustche Bank e que não apoiará pacotes de socorro aos bancos europeus, seguindo orientação acordada pelo G20.

O banco é uma das principais contrapartes de derivativos do mercado mundial e o risco sistêmico originado pela situação coloca a economia europeia como refém da capacidade de resposta do governo alemão e de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu.

Além dos problemas na Europa, os olhos do mercado se voltam para os indicadores da economia americana e as sinalizações do Fed para a política de juros. Uma alta em novembro está descartada para evitar influência poucos dias antes da votação.

Entraremos na reta final do arrastado processo eleitoral e as chances de Trump serão fonte adicional de volatilidade nos mercados de câmbio ao redor do mundo.

Ao contrário da maioria dos principais banqueiros centrais, os membros do FED sinalizam ao mercado que estão dispostos a gradualmente desfazer o afrouxamento das taxas de juros. O efeito disso no endividamento privado americano pode ser gravíssimo, como o aumento do custo de créditos estudantis, cartões de crédito e diversos títulos privados de dívida corporativa.

Já é consenso no mercado de que as políticas de afrouxamento monetário e taxas de juros negativas não serão capazes de reanimar a economia. Tudo indica que estamos chegando cada vez mais perto de um colapso do sistema financeiro, colocando sob forte volatilidade todos os ativos tradicionais.

Os mercados estão em uma posição de aversão grande ao risco, sob a armadilha de baixos retornos em um ambiente de dívida a custo zero, empurrando investidores para aplicações como ouro e bitcoin.

Baixo crescimento, juros negativos e aumento das incertezas sobre os futuros da União Europeia como bloco econômico, colocam pressão sobre o Euro e apontam fortalecimento do dólar.

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