Por que o bitcoin é um novo tipo de ativo? PARTE 3: independência do preço

13/07/2016 | por Admin | em Educação

Na contramão dos mercados, bitcoin se destaca na primeira semana de 2016

Depois de escrevermos sobre o potencial de investimento do bitcoin e seu perfil político-econômico, damos sequência à série de artigos que justifica por que o bitcoin pode ser considerado uma nova classe de ativo no mercado financeiro.

Trataremos nesse post sobre os fatores que levam o bitcoin a ter uma forte independência na formação de preço, que difere substancialmente de todos os outros tipos de ativos.

PARTE 3: independência do preço

Dadas suas características particulares que exploramos nas duas primeiras partes deste especial, o preço do bitcoin deve se comportar diferentemente em relação a outros ativos porque ele é impulsionado ou sofre as consequências de forças de mercado distintas.

O comportamento do mercado pode ser quantificado pela correlação entre os ativos, uma medida padronizada que mede a tendência de movimentação dos ativos. Essa medida varia de +1 a -132. Se dois ativos estão correlacionados perfeitamente, eles estão em +1 nessa banda.

Assim, quando um ativo sobe 10%, o outro sobe também 10%. Se eles estão negativamente correlacionados a -1, quando um ativo subir 10% o outro vai cair 10%.

Quanto mais negativamente correlacionados os ativos estão, maior será a diversificação propiciada em um portfólio de investimentos. Consequentemente, ativos que têm correlação próxima a zero não estão sujeitos às mesmas forças de mercado.

Nos últimos cinco anos, a curva de preços do bitcoin foi bastante distinta comparada a outros ativos. O bitcoin é o único ativo que mantém consistentemente baixa correlação com qualquer outro ativo.

Nesse período, a correlação máxima do bitcoin, positiva ou negativa foi a menor dentre todos os ativos analisados. Isso demonstra o comportamento independente do preço do bitcoin dentro do mercado de capitais.

Comparado às moedas tradicionais, que são utilizadas como meio de troca e reserva de valor, o bitcoin apresentou uma correlação anual de 0.0002 com o índice MSCI de moedas globais, que reúne as moedas dos países emergentes. Este índice comparado às ações nas bolsas dos Estados Unidos mostra uma correlação de 0.7.

Isso nos faz concluir que o bitcoin não pode estar na mesma categoria das moedas tradicionais. Ele é um ativo diferente e sua dinâmica de mercado é prova disso. Eventos macroeconômicos que causam impacto nas moedas de vários países não parecem afetar o bitcoin negativamente e ainda faltam elementos pra provar que afetam positivamente, apesar de termos visto fortes valorizações no ano passado com a crise grega e mais recentemente após o Brexit.

Como escrevemos neste artigo, o bitcoin é bastante comparado ao ouro por diversas razões. Em tempos de turbulência econômica, como foi com a saída do Reino Unido da União Europeia, as pessoas tendem a correr para o ouro para preservar o valor de suas reservas.

Surpreendentemente, a correlação entre o bitcoin e o ouro rondou o território negativo nos últimos cinco anos. Durante o ano de 2013, quando o preço do bitcoin ultrapassou os US$ 1000, o valor de vários papeis atrelados ao ouro despencou fortemente.

No começo de 2013, por exemplo, o valor de mercado do bitcoin era US$ 143 milhões. Ao final daquele ano, havia subido para quase US$ 9 bilhões. No mercado de ouro, o valor de mercado da SPDR Gold Shares ETF (GLD) e da iShares Gold Trust (IAU) caíram de US$ 73,5 bilhões e US$ 11,9 bilhões no início de 2013 para US$ 30 bilhões e US$ 6,2 bilhões no final de 2013, respectivamente. É seguro dizer que uma parcela desses recursos migrou para o ecossistema do bitcoin.

Em comparação a outros ativos, como títulos, ações, mercado imobiliário e petróleo, o bitcoin consistentemente ficou dentro das fronteiras da correlação que o qualificam como um redutor de risco diferenciado para portfólios de investimento.

A média de correlação do bitcoin em relação a todos os outros ativos, nos últimos 5 anos, foi de -0.02, muito próxima a zero, o que mostra sua forte independência na formação do preço.

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